terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Iberostar Praia do Forte

O que fazem dois seres estressados durante uma semana num resort 'all inclusive' na Bahia? Dormem? Também. Passam o dia de pernas para o ar? Sem dúvida. Mas especialmente: comem!

E minha nutricionista que me desculpe: eu comi!

O Iberostar Praia do Forte, inaugurado em novembro de 2008, é um complexo m-a-r-a-v-i-l-h-o-s-o ao lado do seu irmão mais novo, o Iberostar Bahia. No complexo como um todo, há um total de - pasmem- nove restaurantes, além dos bares, da sorveteria, etc, etc, etc..



O Pelô é o restaurante dia-a-dia (ou noite-a-noite) e isto pode soar bastante simples. Pois não é. Ele é formado por ilhas de gastronomia. Há a que eu chamei de gaúcha, com carreteiro, carnes, batatas e muitos eteceteras, a de massas e pizzas, a de peixes grelhados (minha preferida), a mexicana, de saladas, de frios, de pães e sempre uma ou outra diferenciada. Isso tudo além dos sucos e das sobremesas. Uma completa orgia gastrômica.
Estava bem a fim de me conter na saladinha e nos peixes e frutos do mar grelhados e até que consegui.
Mas quando vi churros no café-da-manhã, me desculpem, não deu pra resisitir. Imaginem começar o dia com churros, tapioca, iogurtes, frutas, pães, bolo de mel?! Um verdadeiro, mas inevitável, desastre calórico.

Se couber uma crítica (cabe?), achei as sobremesas muito amanteigadas. Mas é só.
No almoço, era montado um quiosque onde eram servidos acarajé e caldeirada de frutos do mar. Tá bom?!



Para o jantar, além do Pelô, você pode reservar (dependendo do número de noites que ficar) programas nos diferentes restaurantes do complexo, todos com decoração temática: oriental, japonês, mediterrâneo, carnes exóticas, baiano e o francês. Neste último, é preciso entrar com sapato fechado e camisa, mas vale tirar a areia do corpo e se arrumar um pouquinho mais: é fantástico! De entrada comemos lagosta e salmão defumado. Como prato principal, cordeiro delicioso além de um prato de camarões e para a sobremesa, uma torta de chocolate, esta sim, autêntica.

E sendo all inclusive, você não vê preço em nada, durante as refeições ou nos drinques do bar.
Em nada! E para relaxar e esquecer da vida, não há nada melhor!

Iberostar Hotels & Resorts

Bistrô da Torta

A fim de um lugar aconchegante e um bufezinho com comida diferenciada e bem preparada? O Bistrô da Torta é sempre uma opção interessante.
Este domingo estivemos lá e sempre fico encantada com a decoração charmosa do lugar.
A variedade de saladas é fantástica - ainda mais uma grávida que tem tomado todo o cuidado do mundo no que diz respeito a onde posso comê-las - e a diversidade de pratos quentes incluia sorretine de queijo, frango ao molho de uvas (delicioso), salmão com molho branco, aspargos grelhados, quiche de alho-poró, batatas douradas e por aí vai.

Agora as sobremesas, hum... Esta é a especialidade da casa e varia a cada dia. Eu tive que resisitir para não provar um pedaço de cada: torta de maracujá, torta goiaba, cheesecake e um pavê de chocolate branco. Sou vidrada em chocolate branco e minha filha deu saltos de alegria na minha barriga.

Vai lá:
Bistrô da Torta
Rua Padre Chagas, 217

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Hashi

Para comemorar o aniversário do marido, dar boas-vindas ao novo ano judaico e celebrar uma vida feliz (vocês já entenderão o porquê de tantos brindes num mesmo jantar), fomos com a cara e a coragem no 'Hashi - Art Cuisine'.

Logo na entrada, você sente que a noite será especial. A decoração é linda, minimalista e moderna. O cardápio é para ler com calma, pois os pratos são tão diferentes que merecem atenção... aliás, escolher o seu é dificílimo. Confesso que quase apelei para o uni-duni-tê (se você tiver mais coragem, peça o menu degustação, que custa R$140,00, mas deve ser fantástico).

Pedi avestruz ao molho de amoras com purê de mandioquinha e chips de raiz de lótus e marido pediu o sushi contemporâneo. De entrada, ostras gratinadas no brie com espumante de tomilho.


Fotos: www.hagah.com.br

A entrada chegou e a experiência foi fantástica. Nunca havia comido uma ostra gratinada num ponto tão perfeito. Fora a quantidade de queijo, que dá um toque ao invés de fazer sumir completamente o gosto da ostra.

Os pratos quentes chegaram logo em seguida e seria difícil descrever a perfeição. Eu e marido, loucos por gastronomia, temos a lista dos '10 mais', que são os dez melhores pratos que comemos em restaurantes, pelo Brasil e pelo mundo, desde que nos conhecemos... e este certamente desclassificou algum outro da lista. O avestruz veio mal passado no ponto exato e a amora foi um contraponto ideal. O chips de raiz de lótus é muito saboroso... só achei que, ao final do prato, a amora e a mandioquinha, que é adocicada, deixam um gosto levemente enjoativo. Mas nada a ponto de eu não ter tido vontade de lamber o prato quando acabei.

O sushi contemporâneo é bastante exótico e marido disse que, em Porto Alegre, nunca tinha comido um sushi tão gostoso.

A experiência foi fenomenal. O Hashi merece todos os títulos que recebe e foi o melhor restaurante gaudério em que já estivemos nestes cinco anos. E a conta salgada, vale cada centavo.

Vai lá: Rua Des. Augusto Loureiro Lima 151 - Bairro Bela Vista - Fone: (51) 3328 0005

domingo, 14 de setembro de 2008

Lubnnan

Se algum dia seu estômago, em conversa íntima com você, comentar que desejaria uma comida árabe, convide ele a visitar o Lubnnan.
O restaurante libanês apresenta uma cardápio típico, mas se aceitar uma sugestão, peça o rodízio e experimente t-o-d-o-s os pratos. Palavra de uma paulista, que mora em POA e já visitou o oriente. A comida e o tempero são divinos. Guarde um espaço maior para o babaganuche (pasta de beringela) e o mjadra (arroz com lentilhas), que são especiais. Meu marido também adora o falafel (bolinho de grão de bico) que eles preparam.
Na última quinta, almocei lá e, devido à demora por um problema no gás, ofereceram-nos um chancliche com zattar como cortesia. Durante alguns preciosos minutos, orei ao bendito gás.













Foto retirada do site http://www.sugarandspices.info

O ambiente é um misto entre 'despretensioso' e 'decoração de gosto duvidoso', mas a visita vale. De preferência, se você tiver uma rede ao ar livre para passar algumas boas horas de pernas para o ar depois da orgia alimentar.

O Lubnnan fica na Avenida Cristóvão Colombo ,727.

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Parador Casa da Montanha

Um final de semana perfeito tem marido, frio, vinho, serra, pés juntinhos, comida gostosa e lugar charmosinho.

Se você concorda comigo, este hotel é imperdível. As cinco estrelas vestem bombacha e tomam chimarrão, pois o lugar é rústico, mas lindo e fofo até não poder mais.

O Parador Casa da Montanha é uma filial do famoso Hotel Casa da Montanha, de Gramado, mas fica em Cambará do Sul, região de Canyons ao norte do estado e, ao contrário da sofisticada filial, oferece cabanas ao invés de suítes, algumas inclusive sem chuveiro no quarto.

A princípio pode parecer estranho, pois o preço é bastante salgado para um acampamento de inverno, mas na realidade, não é nada disso. As cabanas são térmicas e lindas e o chuveiro 'público', faz parte do esquema vamos-fingir-que-somos-aventureiros, pois as instalações são ótimas.



O Parador oferece pacotes de aventura, como trilhas, pesca, cavalgadas que, palavra de uma frescobela assumida, são totalmente adaptados para urbanóides. Mas um capítulo a parte é a comida (opte pela pensão completa), campeira, preparada num ponto perfeito e com um sabor realmente fantástico. Na última vez em que estivemos lá, a feijoada estava saborosíssima, mas torça mesmo para o chef incluir o cordeiro, pois é inigualável.




Vale comemorar bodas, vale não comemorar nada, vale inventar o que comemorar. O lugar é para namorar e se apaixonar.




quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Suzanne Marie Restaurant

Morando longe do centro, todo o dia faço tudo sempre igual e almoço em Porto Alegre, procurando diariamente por opções saborosas, com preço atrativo e - por que não - charmosas.

Eis que descobri, almoçando com a Alê e pequena Sara, o delicioso Suzanne Marie Restaurant, no Moinhos de Vento.

A casa, que lembra um bistrô francês tanto pela decoração, quanto pelas lavandas plantadas no fofo jardim, prima pelo buffet delicioso e pela apresentação, que é importantíssima, afinal, comemos também com os olhos e não são todos os restaurantes que tomam este cuidado.

Os pratos são simples, mas com um ou outro ingrediente incrementado (na terça, havia quiche de alho-poró com leite de côco), extremamente bem temperados e preparados.

O atendimento, delicado e atencioso, faz com que você sinta que está na casa da proprietária, que faz questão de atender a todos os seus clientes pessoalmente.

Foto do site Hagah

Por um prato bem caprichado e um expresso, paguei R$18,00. E sai bem. Pois um ambiente é capaz disso: de te deixar afoita ou de quebrar seu dia, deixando a tarde alegre e mais leve.

Vai lá:

R Tobias da Silva, 304 - Moinhos de Vento

Marido que é marido...

... cozinha!

Sexta à noite, pensando na programação do final de semana (que para nós, casal recém 'interiorano', resume-se a ficar em casa curtindo o campo), passei no açougue e comprei lindas costeletas de cordeiro. Marido, que é chef de final de semana, ficou com a função de prepará-lo à moda temperamos-com-o-que-tiver-na-geladeira (mostarda dijon, alho, mel e alecrim). Eu, a auxiliar, preparei um risoto de parmesão. Uma lareira, um bom vinho e foi o suficiente para não colocarmos o pé para fora de casa!

Gokan Sushi Lounge

Outro dia estava assistinho ao programa "A Minuta", que passa no Discovery Travel & Living. Adoro programas culinários, mas este é certamente meio afetado, a começar pelo chef arrogante e mal-humorado, características irrelevantes se a comida te faz delirar.

Mas o fato é justamente este. Ele estava preparando uma lula (sim uma, uminha) recheada com carne de porco e para enfeitar, um fio de azeite e uma (sim, uminha de novo) fatia de beringela recheada com uma pasta de vários pozinhos feitos de frutos do mar secos.

E daí eu pensei: quando foi que a comida teve que perder a graça para virar chic?

Sim, é arrogante da minha parte julgar e desde já esclareço que sou contra a tradição de 'comer, comer para encher a pança'. Mas sou a favor de pratos nada minimalistas e adoro ingredientes graúdos e bem servidos.

Criatividade e originalidade contam. E muito. Mas para isso, você tem que sentir o sabor.

Então lembrei de uma entradinha que experimentei semana passada no Gokan Sushi Lounge, o novo Gokan em frente ao Sheraton (para os 'não gaúchos', Gokan é um restaurante japonês conhecido daqui): Temaki de carne de cordeiro, com azeite trufado e lâminas de amêndoas.

O recheio vem envolto em uma espécie de massa crocante e a primeira mordida é deliciosa. Na segunda, cadê a carne? Cadê o azeite trufado? Sobra só a massa com muitíssimo cream cheese.


Frustração total. Todo o sabor da primeira mordida foi-se e ficou aquela sensação gordurosa.Eu como de (quase) tudo, sem frescuras. Adoro novos sabores. Amo comfort food. Amo culinária tradicional. Amo também 'novos experimentos'.

Mas sabor não pode ser simplesmente um adorno. E ponto.

Tutto Riso

Uma vez por mês, acontece em Porto Alegre o que chamamos de "encontro da calcinha", que nada mais é que um jantar onde reunimos mulheres que trabalham com lingerie - fornecedores e clientes, que neste momento são apenas amigas - e conversamos sobre tudo que não seja calcinha e soutien.

Estes encontros acontecem em lugares diversos, desde a casa da queridíssima Conceição - concorrente em horário comercial e amiga após o expediente - que é uma anfitriã daquelas que fazem uma mesinha de canto virar um lounge com velas e pétalas - até os mais diversos restaurantes da cidade.

Já fomos ao Box 21, ao Schullas, à Pizzaria Fornellone, ao Horizon, à Olaria (definitivamente o melhor fondue da cidade), Usina das Massas (saborosíssimo, que me desculpe a Veja, com sua indicação ao Puppi Baggio) e à D.O.C. Champanharia. Hoje, sugeri um dos meus restaurantes preferidos de POA: o Tutto Riso, primo irmão do Puppi Baggio, mas que merece muito mais destaque. Não só pelo ambiente fofésimo, de inspiração em uma villa Toscana, com um terraço acolhedor ao ar livre e um salão de cores quentes e detalhes cuidadosos, mas pelos pratos, muitíssimo bem servidos em suas panelas Le Creuset. Charmoséssimo.

Hoje não foi diferente. Estávamos em seis e pedimos um risoto de pernil de ovelha com vinho tinto - que estava absolutamente divino - e outro de espinafre, gorgonzola e amêndoas, que estava muito bom, apesar de ter achado que o gosto de espinafre sobressaía ao do gorgonzola e não é o que se espera de um prato com queijo de gosto marcante.

Para acompanhar, um vinho Fortaleza do Seival, Cabernet Sauvignon 2004. Veja bem, era uma vinho de R$30,00 e apesar de amar vinhos, não sou uma grande entendida e fico bastante satisfeita com uma escolha mais simples.
- O cabernet sauvignon, sra.?
- Sim, obrigada.

Comemos, comemos. Rimos, rimos.

Para a sobremesa, pedi um mousse de chocolate branco com amêndoas e coulis de framboesa que estava muito saboroso. Tudo muito agradável, como sempre.

Na conta, um susto. O vinho, o tal do Seival, estava por R$70,00.
Como assim? Chequei a carta e sim, a pateta aqui fez a pose de sommelier e se deu mal ao aceitar o Quinta do Seival, ao invés do Fortaleza. Raiva, muita raiva.

Sei que tenho culpa no cartório, mas me deu uma brabeza imensa (como se diz por aqui) do garçom, que ou era mais pateta que eu ou infinitamente mais esperto.

E que fique claro: não me importo em pagar para comer. Aliás, é um dos meus maiores prazeres. Mas foi uma heresia engolir foie gras como se fosse patê de fígado.

Boulangerie Carina Barlett

Um dos detalhes que mais senti falta quando vim morar em Porto Alegre, foi de encontrar pão fresquinho a cada esquina, como acontece em São Paulo. Não que eu seja uma viciada em pães, mas sabe quando você não pode ter algo e por isso a vontade bate em plena manhã de terça-feira?
Pois é.

Dica fresquíssima, agora Paris está muito bem representada no Bom Fim, com a Boulangerie Carina Barlett. O nome não é só chiquetesésimo, mas o lugar é charmosíssimo e os pães fresquíssimos. Não deixem de experimentar o pão moranga (foto) e o tradiconal pão francês que são d-e-l-i-c-i-o-s-o-s e no dia seguinte ainda servem para comer e não somente para fazer farinha de rosca como os dos supermercados locais.


Vai lá:
Vasco da Gama esquina com João Telles.

Tatu. Ou lagarto.

Carne não é uma das minhas especialidades e por isso o desafio do tatu na panela de sexta-feira. Aos não gaúchos, explico o 'tatu':

- Cleusa, você pode colocar o lagarto na geladeira?
- Quê?
- O lagarto
- Eca! Onde?
- Ai, esquece: o tatu!
- Ah!

Lagarto é tatu. E ambos os nomes são terríveis. Mas enfim.

Deixe uma peça de mais ou menos 1kg marinando durante 2 horas em vinho branco com tomilho, sal, pimenta, louro e uma colherzinha de chá de canela.Na panela de pressão, refogue uma cebola picada grosseiramente e um dente de alho. Deixe dourar um pouquinho e coloque o tatu-lagarto. Doure bem todos os lados e acrescente um tomate picado, o vinho da marinada e deixe secar. Depois coloque umas duas xícaras e meia de caldo de carne (naquela medida à olho antes de fechar a panela de pressão - que para mim é um momento sempre meio tenso, confesso - não muito cheia, nem vazia demais) feche a panela e deixe cozinhar por mais ou menos uma hora.
O molho fica com uma cor linda, escura e bem encorpado.
Fatie a carne.
Eu servi com um macarrão na manteiga com sálvia frita.

E no dia seguinte, o tatu-lagarto desfiado ainda vira um excelente sanduiche em pão cervejinha.

Como fotógrafa, sou uma ótima praticante de yoga e assim, vou abstê-los das mesmas. Às vezes, mil palavras valem mais que uma imagem.

Sem comissão ou fee...

... Mas pelo simples prazer de divulgar um trabalho lindo.

Recebi um e-mail dela e resolvi dar (mais) uma espiadinha no site para checar as novidades.

A Lis Fonseca é uma artista doce. Não, não a conheço pessoalmente, mas as maravilhas que ela faz são de açúcar!

Conheci o trabalho da Lis quando planejava a festinha de aniversário de 24 anos (faz tempo) com minha amiga paulista, ex conterrânea gaudéria, companheira de lástimas sulinas e características leoninas.

E o resultado foi este:(tema: Alê e Nu em SP. Puro saudosismo)



A paixão foi total e não parei mais. Até hoje, é pra lá que eu sempre corro se a situação pede um bolinho ou simplesmente um bom mimo!

Media Luna

Estive hoje com pessoas queridas, ou chefitos, ou colegas de trabalho no Media Luna, um café argentino fofo, fofo de Porto.
Mas infelizmente tive que parar no 'fofo'.
Não foi a primeira vez que estive lá, mas o serviço tem piorado a cada visita. Desta vez ficamos 20 minutos aguardando atendimento. E somente após nos esguelarmos, fomos atendidos.
Depois de um esquecimento e mais 20 minutos, chega nosso pedido. Três expressos que estavam bastante amargos e uma tostada que veio errada (pedi a de ricota e veio a de queijo cremoso). Apenas não reclamei, pois Anthony Bourdain me deu bons motivos para isso no livro 'Cozinha Confidencial'.
Para a sobremesa, a media luna de goiabada não estava fresca e o mil folhas de doce de leite, estava bom. Simplesmente. É uma pena.
Trouxe para o marido algumas empanadas de carne. E talvez seja somente por elas que visitaremos o café novamente.

Le dor va dor (de geração em geração)

Lendo o blog da chef Andrea Kaufmann, voltei alguns anos atrás, quando ajudava minha mãe na cozinha toda véspera de Pessach ou Rosh Hashaná (festividades judaicas).

Nestas ocasiões, é costume cada convidado levar um prato típico para a orgia gastronômica e como minha família é dividida entre sefaradi (judeus que vieram do oriente, europa oriental e península ibérica) e ashkenazi (judeus da europa ocidental), todas as heranças gastronômicas são representadas nestes jantares. Não raro, surgiam pequenas discussões sobre para que lado as crianças pendiam. "Esta é sefaradi", dizia minha avó quando eu gostava de qualquer uma de suas receitas (aliás, estes dias ela incluiu fritada de alho-poró e vagem com carne moída como integrantes da culinária sefaradi, a fim de desfazer meu comentário sobre gostar mais da comida ashkenazi).

Todo ano, até hoje, minha mãe cozinha pratos típicos ashkenazi - salada de fígado, salada de ovo e guefilte fish (bolinhos de peixe), estes, receita da minha bisavó.Lembro dela começar moendo o peixe para depois juntá-lo aos outros ingredientes. Vê-la misturar com as mãos o peixe moído, o ovo, o sal, etc, me faz até hoje adorar colocar a mão na massa. É quase uma terapia. Depois, um a um moldávamos os bolinhos e os colocávamos no panelão para cozinhar. Em seguida, fazíamos as saladas amassando o fígado, cortando o ovo em pedacinhos... E nisso, o aroma delicioso já espalháva-se por toda a casa. Nós duas seguíamos então direto para o banho, para tentar tirar aquele cheiro de peixe que só sairia efetivamente em dois dias.

Quanta saudade eu sinto daqueles dias deliciosos, que quando pequena eu aguardava ansiosamente, ano após ano, para dividir com minha mãe. Lembro de como eu me achava completamente adulta quando elogiavam a comida no jantar e minha mãe dizia: "A Nunu que me ajudou".

A cultura judaica tem mesmo 2 pés na cozinha, onde cada receita expressa nossa tradição e cada detalhe é milenar, ensinado de geração em geração e compartilhado em momentos doces como este. Por isso até hoje, mesmo morando longe da família, gosto de cuidar para que estes momentos continuem sendo tão especiais. Le dor va dor.

Heroínas modernas

Faz um tempo, ganhei da um livro fofésimo da Chris Campos, chamado 'Casa da Chris'.
Perfeito para nós, amélias modernas, que ao contrário de nossas compatriotas venusianas feministas, vibramos com uma batedeira cheia de funções ou um pano de prato novo.

Quando eu era pequena, meu avô nos levava - eu, minha irmã e minhas primas - para escolher o presente que quiséssemos na DB Brinquedos (quem lembra?), no aniversário de cada uma de nós. O que quiséssemos! E isso para uma criança é a verdadeira apoteose.
Geralmente eu queria a batedeira, o fogãozinho ou a chocolateria, para surpresa das outras crianças presentes, que geralmente optavam pela Barbie ou por algum bichinho de pelúcia bastante fofinho.

Aos 12 anos, meu sonho era fazer um curso de culinária. Fiz, na Wilma Kovesi, o intensivão de microondas, já que ainda não podia usar o fogão. Amei de paixão, apesar de hoje ter bastante aversão a usar o coitadinho, a não ser para esquentar comida ou fazer pipoca de saquinho.

Desde pequena tenho aptidão a amélia, mas devido à geração em que nasci, virei amélia moderna. Isso significa que, além de não usar laquê, tenho que dividir algumas funções e não posso me dedicar exclusivamente ao meu lar doce lar. De vez em quando ele fica uma zona. De vez em quando o sapato está no meio da sala e a pia cheia de louça. De vez em quando não tem um doce no final de semana e de vez em quando, não tem cheirinho de refogado na hora do jantar.

Mas apesar de tudo isso, me dá um tremendo prazer cozinhar para o marido (vovó já dizia que homem se segura pelo estômago...será?), deixar a geladeira cheia de 'gostosisses' quando vem visita, usar um avental fofo e ter uma gaveta completamente cheia de utensílios de cozinha - de cortador de bolacha em forma de coração a ralador de noz moscada. Me dá prazer olhar para minha coleção infinita de livros de receitas e para meus panos de prato coloridos, meticulosamente dobrados na gaveta. Cuidar para ter sempre uma flor nova no terraço, spray de canela no criado-mudo e velinhas perfumadas para jantares especiais. E principalmente, jamais usar cebola ou alho prontos, daqueles potinhos insonsos que encontramos no supermercado.... Nada substitui o cheirinho de um refogado fresquinho.

E assim somos nós, heroínas dos lares modernos, que encontramos tempo para tudo e mais um pouquinho, mas nos sentimos sempre um tantinho culpadas por não ter dado tempo de fazer ainda mais um pouquinho. Uma comidinha mais elaborada, uma atenção a mais pro marido, uma visita para aquele cliente... ou até levar para a lavanderia aquela gravata que está fazendo aniversário no banco de trás do seu carro.

Nunca dá tempo de fazer tudo e por isso, o negócio é relaxar. Assim, compartilho com vocês, bem ao estilo heroína moderna, este trechinho delicioso do livro da Chris, que citei no começo do post:"... Outro dia fiz as contas e notei que as minhas heroínas nunca precisaram ostentar cintos de verdade amarrados na cintura. Muito menos pilotar aviões transparentes ou rodopiar para se transformar em seres superpoderosos. Elas são capazes de vencer suas batalhas munidas de artefatos tão prosaicos quanto uma colher de pau ou um avental dupla face (para não molhar a barriga na pia). Pilotam carrinhos de feira sem provocar acidentes. E lançam mão de truques valiosos na hora de confeitar bolos lindos, temperar bifes maravilhosamente bem, escolher frutas sem correr o risco de serem embromadas pelo feirante...E quer saber? Aposto que a Mulher Maravilha adoraria participar e um workshop com pelo menos uma delas. Para ver se consegue manter seus superpoderes também no mundo real."
Chris Campos
Viu só? Mulheres maravilha da vida real: ativem seus superpoderes e cuidado para não tropeçar no salto!